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Monday, 31 December 2012

A Cinemateca Portuguesa vai exibir o filme "Os Verdes Anos" (1963) na quarta-feira, às 21h30, numa sessão especial de homenagem a Paulo Rocha, falecido no sábado, no Porto.
De acordo com a informação na página online da entidade, devido ao falecimento do cineasta, aos 77 anos, a direção decidiu alterar a programação delineada para 2 de Janeiro.
Nesse dia será cancelada a exibição do filme "Chaimite", de Jorge Brum do Canto, e será projectada a primeira longa-metragem de Paulo Rocha, considerada emblemática do Novo Cinema Português, um movimento estético que surgiu nos anos 1960.
No sábado, em declarações à agência Lusa, a diretora da Cinemateca, Maria João Seixas, lamentou a morte do cineasta, considerando-o «um dos seminais» do Novo Cinema Português, que «muito influenciou as várias gerações de realizadores portugueses», como João Salaviza e Miguel Gomes, ambos com filmes recentemente premiados no estrangeiro.
Em "Os Verdes Anos", o jovem Júlio deixa a província para viver em Lisboa, procurando ganhar a vida como sapateiro, e na cidade conhece, por acaso, Ilda, uma jovem da mesma idade, empregada doméstica, com quem começa um namoro.
Mas a viver num ambiente estranho e hostil, que o inquieta, o jovem sente-se perturbado, e começa a desconfiar de Ilda, que acaba com o namoro, e, num impulso desesperado, acaba por matá-la.
O filme, produzido por António da Cunha Telles, chamou a atenção da crítica pela nova forma de filmar, diferente da cinematografia habitual do Estado Novo, sobretudo pelos diálogos, a carga poética da música de Carlos Paredes, e também pelo retrato de ambientes citadinos da época.
Depois de uma passagem pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Paulo Rocha partiu para França, onde estudou cinema no Institut des Hautes Études Cinématographiques e obteve um diploma de realização.
Foi assistente do francês Jean Renoir em "Le Caporal Épinglé" (1962) e do português Manoel Oliveira no "Ato da Primavera" (1963) e em "A Caça" (1964).
Depois de "Os Verdes Anos" realizou "Mudar de Vida" (1966), outra obra considerada emblemática do movimento do Novo Cinema Português.
Também assinou "A Pousada das Chagas" (1972), "A Ilha dos Amores" (1982), "A Ilha de Amorais" (1984), "O Desejado" (1988), "Máscara de Aço Contra Abismo Azul" (1989), "O Rio do Ouro" (1998), "A Raiz do Coração" (2000), "As Sereias" (2001) e "Vanitas" (2004).
Paulo Rocha fez também dois ensaios fílmicos consagrados aos realizadores Manoel de Oliveira e Shohei Imamura, integrados na série "Cinéastes de Notre Temps".

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