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Tuesday, 4 December 2012

 Quando vamos a um restaurante muitas das vezes não temos a noção de todo o esforço dos cozinheiros envolvidos na confecção da comida. Uns desempenham a sua função para pagar as contas, outros por gosto, outros por uma profunda paixão à culinária. “Comme un Chefe”, o novo filme do realizador Daniel Cohen desenrola-se precisamente em volta de dois indivíduos que partilham o mesmo prazer pela culinária, uma actividade que encaram como uma arte e uma paixão.
 Embora partilhem o amor pela culinária, estes dois indivíduos estão num nível profissional bem diferente, embora ambos estejam a passar por algumas dificuldades. Alexandre Lagard (Jean Reno), é um chef reputado em perigo de perder o seu emprego graças ao facto do grupo financeiro, que administra o estabelecimento pretender contratar um chef mais moderno para o cargo. No entanto, o despedimento de Lagarde apenas pode acontecer se este perder uma das três estrelas que possui, uma possibilidade que pode estar mais perto de acontecer do que Lagarde poderia desejar, sobretudo quando um grupo de críticos apreciadores de cozinha molecular prepara-se para avaliar o restaurante e colocar em causa o seu trabalho, ou não fosse este um cozinheiro da “velha guarda”, muito pouco dado às exigências requeridas pelos avaliadores. Sem inspiração, nem grandes ideias, o prestigiado cozinheiro acaba por encontrar o seu braço direito no improvável Jacky Bonnot (Michaël Youn), um cozinheiro amador que não consegue manter um trabalho fixo, enquanto procura ganhar dinheiro para poder dar alguma estabilidade à filha que está prestes a nascer. Desta dupla improvável nasce uma grande amizade e uma grande dupla de culinários, que procuram a todo o custo triunfar num mundo que pode ser bem mais complexo do que à primeira vista poderá parecer.
 Sem grandes pretensões a não ser divertir o público, “Comme un Chef” é uma comédia leve e agradável, que tem a sua maior virtude na carismática e talentosa dupla de protagonistas interpretada por Jean Reno e Michaël Youn. Nada do que é exibido no filme é particularmente inovador ou memorável, embora as comédias sobre culinária não proliferem, muito menos as protagonizadas por um indivíduo como Jean Reno, que estamos habituados a ver noutro tipo de registos cinematográficos. Jean Reno é essencial para a obra cinematográfica funcionar, a par de Michaël Young, dois actores com currículos distintos, mas que conseguiram imprimir uma dinâmica interessante (e cómica) aos seus personagens. Reno como um cozinheiro que procura a todo o custo manter as três estrelas do seu restaurante, Youn como um cozinheiro amador cuja paixão pela culinária apenas é igualada pelo amor que nutre pela sua namorada, Béatrice (Raphaëlle Agogué). O sentido de humor de Michaël Youn (conhecido exactamente pela sua veia de humorista) como um sonhador meio naive casa na perfeição com o tom mais sério que Reno imprime ao seu personagem, com os dois a tirarem a obra da mediania, formando uma dupla carismática, mesmo quando o argumento não ajuda em nada o desenvolvimento dos personagens. Para além de Reno e Youn, como dois indivíduos apaixonados pela culinária, o elenco conta ainda com alguns personagens secundários que imprimem algum humor à narrativa, entre os quais o trio de cozinheiros da cantina do lar de idosos onde Jacky trabalhou, bem como um Santiago Segura como um excêntrico cozinheiro especializado em cozinha molecular, que partilha com este trio e a dupla de protagonistas um momento de algum humor.
 Recheado de gags e situações caricatas, “O Chef” procura satirizar o mundo da culinária, no qual um cozinheiro prestigiado pode perder o seu estatuto elevado com a maior das facilidades, ao mesmo tempo que aborda as dicotomias entre um culinário de velha guarda com outros mais sofisticados, entre a paixão pela profissão e o pragmatismo, tudo com uma grande leveza, com o argumento a nunca aprofundar muito estas temáticas. Esta falta de profundidade do argumento nota-se sobretudo pela falta de densidade dos personagens e pelo constante atirar de clichés onde não falta o filho do dono da cadeia de restaurantes (Julien Boisselier) que é o típico velhaco que faz a vida negra ao protagonista, as adversidades na relação entre Bonnot e a Béatrice, a descoberta do valor da amizade por parte do personagem, entre outros elementos que pouco ou nada inovam e para os quais já conhecemos o seu desfecho antes do filme terminar.
 Com um argumento recheado de clichés e uma história sem grandes pretensões, “Comme un Chef” apresenta alguns momentos deliciosamente divertidos, onde não falta Jean Reno e Michaël Youn em bom nível, muitos mal entendidos, refeições distintamente elaboradas, rivalidades caricatas, tudo efectuado com grande simplicidade, mas com enorme coração, numa comédia deliciosamente confeccionada por Daniel Cohen. Se fosse uma refeição, “Comme un Chef” certamente não estaria entre os pratos mais elaborados, mas muito provavelmente estaria entre aqueles pratos simples e deliciosos que nos deixam bastante satisfeitos e com vontade de repetir a dose.

Classificação: 3 (em 5)

Ficha técnica:
Título Original: “Comme un Chef”.
Título em Portugal: “O Chef”.
Título no Brasil:
Realizador: Daniel Cohen.
Guião: Daniel Cohen.
Elenco: Michaël Youn, Jean Reno, Raphaëlle Agogué, Julien Boisselier, Salomé Stévenin, Serge Larivière, Issa Doumbia, Bun Hay Mean, Pierre Vernier, Santiago Segura.

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