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Monday, 17 December 2012

Roger Rabbit: P-p-please, Eddie! Don't throw me out. Don't you realize you're making a big mistake? I didn't kill anybody. I swear! The whole thing's a set up. A scam, a frame job. Ow! Eddie, I could never hurt anybody. Oow! My whole purpose in life is to make... people... laugh!

  O único propósito na vida de Roger Rabbit é fazer rir o espectador, e diga-se que consegue cumprir na perfeição este desiderato em "Quem Tramou Roger Rabbit?", um filme onde os desenhos animados convivem no quotidiano com os seres humanos, algo que promete causar sérios problemas, sobretudo quando após um assassinatoo principal suspeito é... Roger Rabbit. Realizado por Robert Zemeckis e Richard Williams (este último responsável pelas cenas de animação), "Quem Tramou Roger Rabbit?" marcou gerações e continua a ter uma larga base de fãs, algo visível pelas várias notícias que vão surgindo ao longo dos anos sobre uma possível sequela, apesar do filme ter estreado no ido ano de 1988.
 Inovador para a época, "Quem Tramou Roger Rabbit?" mescla de forma sublime os personagens de animação com os cenários e actores reais e vice-versa, revelando toda a criatividade da equipa envolvida, onde não falta um Robert Zemeckis no cargo de realizador, Steven Spielberg no cargo de produtor-executivo (e financiador, através da Amblin Entreteinment), um Bob Hoskins magnífico como o detective mal-humorado Edward Valiant, um Christopher Lloyd soturno e carismático como o antagonista Juiz Doom, para além de um excelente trabalho a nível de animação, que mescla de forma harmoniosa elementos de comédia, aventura, humor, acção e filme noir, numa obra icónica onde um coelho irrequieto e um detective reservado preparam-se para viver uma aventura alucinante. Quando "Eddie" Valiant, um detective conhecido por detestar desenhos animados devido ao seu irmão ter sido assassinado por um Toon (um desenho não registrado), é contratado por R. K. Maroon para descobrir se a voluptuosa Jessica Rabbit se encontra a trair o marido, a conhecida estrela de desenhos animados, Roger Rabbit, este logo é obrigado a envolver-se no universo animado que tanto odeia.
  Perante o rumor da possível traição, o desempenho de Roger Rabbit no programa televisivo que protagoniza ao lado de Baby Herman (um indivíduode cinquenta anos com aspecto de bebé), logo começa a decrescer, algo que promete tirar alguns risos do espectador, enquanto Valiant se embrenha pelo clube nocturno onde trabalha Jessica Rabbit, um local onde não falta uma Betty Boop como empregada de mesa, Donald Duck e Duffy Duck como pianistas, um local cheio de ritmo onde desenhos animados e humanos convivem como se não houvesse diferenças entre ambos. Pouco tempo depois de Jessica protagonizar o memorável momento cinematográfico no qual canta "Why Don't You Do Right?", esta é apanhada a envolver-se com Marvin Acme (Stubby Kaye), o dono da Toon Town e famoso fabricante dos engenhos utilizados pelos desenhos animados (a famosa Acme Corporation). As fotos chegam a Roger Rabbit, que cedo entra em pânico e foge. Pouco tempo depois, Marvin Acme surge morto. A culpa do crime recai em Roger Rabbit, que vai pedir ajuda ao único detective em que ninguém acredita que pode querê-lo defender... Eddie Valiant.
 Enérgico e divertido, "Quem Tramou Roger Rabbit?" é uma dose explosiva e colorida de entretenimento onde não falta humor, acção, aventura e muitos desenhos animados, enquanto um coelho completamente chanfrado procura descobrir quem o anda a tentar tramar, salvar a cidade dos desenhos animados e recuperar o coração da amada, sempre com a companhia de Eddie Valiant, um detective que não podia ter uma personalidade mais antagónica com a do protagonista. Depois de realizar com sucesso "De Regresso ao Futuro", Robert Zemeckis desenvolveu outra obra icónica do final dos anos 80, que tem sobrevivido ao factor do tempo, tendo-se revelado um entusiasmante pedaço de entretenimento que marcou uma época de ressurgimento da Walt Disney Pictures, após alguns fracassos de bilheteira. Este período de recuperação coincidiu com a entrada em cena de Michael Eisner como CEO, em 1984, um indivíduo que teve como grande mérito conseguir colocar o estúdio de volta ao caminho dos êxitos, tendo em "Who Framed Roger Rabbit?" uma das suas bandeiras deste regresso ao sucesso que continuou com "A Pequena Sereia", A Bela e o Monstro", "Aladdin", "O Rei Leão" entre outros, que de ano para ano mostraram que o período negro do estúdio já tinha passado. A entrada de Eisner marca ainda uma aposta do estúdio em filmes de cariz mais negro, mais arriscado do que até então: veja-se o lançamento do eternamente adiado "Tarane o Caldeirão Negro" em 1985, seguido de "O Rato Basílio", dois filmes de cariz mais negro, nos quais se integra o próprio "Quem Tramou Roger Rabbit?", um filme livremente inspirado no livro "Who Censored Roger Rabbit?" de Gary K. Wolf.
 Esse tom mais negro, que contrasta com a loucura dos personagens animados como Roger Rabbit, surge associado ao juiz Doom, o antagonista interpretado de forma soberba por Christopher Lloyd, que consegue manter sempre uma certa aura maligna em volta do personagem, associado à sua conduta, uma figura tirânica, quase associada a um líder fascista, sendo a violência e a coerção sobre os desenhos animados práticas comuns. Se toda a aura em volta desta figura representa um clima negro, o mesmo se pode dizer do célebre momento em que Doom assassina uma bota de desenho animado, no qual o objecto é eliminado numa cena icónica do filme e demonstrativa de alguma da violência e morte que paira pelos seus cenários, não faltando tiroteios, perseguições e muita emoção, enquanto Roger e Eddie procuram descobrir quem tramou o protagonista.
 A busca pelo verdadeiro assassino de Marvin Acme encontra-se recheada de elementos dos filmes noir, associados à própria representação de Los Angeles em 1947 – altura na qual estes filmes eram muito populares – não faltando o detective com uma personalidade ambígua, um feitio pragmático, que procura resolver um caso, uma cidade marcada pela insegurança, os cenários nocturnos, personagens de carácter ambíguo, elementos que parecem saídos das obras de Raymond Chandler, tudo mesclado com os elementos de animação. No meio desta atmosfera noirish, contamos ainda com toda a cor e a ilusão dos desenhos animados do período áureo de Hollywood, não faltando Betty Boop, Donald, Mickey, Dumbo, entre muitos outros que povoam a narrativa protagonizada pelo tresloucado Roger Rabbit. Diga-se que Roger foi uma criação e tanto, um personagem carismático, irreverente, que conquistou o público e fez as delícias do estúdio graças ao material de merchandising, capaz de atrair público de todas as idades. Se Roger Rabbit foi um personagem sempre consensual, já a sua companheira, Jessica Rabbit, cedo despertou alguma polémica, ou não fosse uma personagem voluptuosa e sensual, que conquista desenhos e humanos ao longo do filme, ou não tivesse sido inspirada na lendária Veronica Lake.
 O traço de Jessica Rabbit, refinado, capaz de atribuir algum carisma à personagem, revela bem todo o bom trabalho efectuado pela equipa de animação, em particular por Richard Williams, o co-realizador, responsável pelas cenas de animação, pois contem uma energia contagiante, fruto não só do seu protagonista, um coelho carismático e tresloucado, mas também da recuperação de alguns dos personagens clássicos de animação, entre os quais, Mickey Mouse, Donald Duck, Daffy Duck, Bugs Bunny, Betty Boop, Dumbo, entre muitos outros, que se mesclam com os humanos de forma natural, permitindo à narrativa utilizar os desenhos como se não fossem seres completamente estranhos aos humanos (veja-se que o detective sente-se algo atraído por Jessica).
A junção de elementos de animação com actores e cenários reais não é uma novidade. Veja-se os casos de "The Three Caballeros" (1945), "Mary Poppins" (1964), "Pete's Dragon" (1977), entre outros que estrearam antes de Roger Rabbit. No entanto, poucos foram os que conseguiram apresentar o brilhantismo e a naturalidade de juntar animação com actores reais como "Quem Tramou Roger Rabbit?", no qual todo este universo de animação faz parte integrante da história, não funcionando como um elemento para "colorir" a mesma, ou seja, para torná-la mais apelativa. Em "Quem Tramou Roger Rabbit?", nota-se toda uma evolução a nível de efeitos que nem nos dias de hoje estão datados, com Robert Zemeckis a realizar mais um filme icónico na sua carreira, que gerou um enorme sucesso no final dos anos 80.
 O sucesso de "Quem Tramou Roger Rabbit" levou a que tivessem sido desenvolvidos diversos materiais relacionados com o filme. Desde comics, passando por graphic novels, curtas de animação, brinquedos, até jogos de computador (seja para Game Boy, Commodore Amiga, entre outros), bem como um livro ("WWho P-P-P-Plugged Roger Rabbit?"), entre um variado conjunto de materiais que evidenciam bem a aposta efectuada na obra cinematográfica e a aderência que esta teve junto dos espectadores de todas as idades. Apesar de hoje em dia não haver a mesma onda mediática em relação ao filme, ou não tivessem passado mais de vinte anos desde a sua estreia, não deixa de ser curioso que "Quem Tramou Roger Rabbit?" mantém ainda um grande valor de entretenimento nos dias de hoje, sendo um filme completamente diferente daquele a que assistimos em crianças. Se anteriormente a animação era o destaque, bem como o coelho tresloucado que dá o título ao filme, já nos dias de hoje podemos encontrar os inunendossexuais do filme, as características noir da obra, o traço refinado a nível de animação, o bom desempenho de Bob Hoskins, ao mesmo tempo que nos damos conta que Robert Zemeckis realizou uma obra que não ficou estagnada no tempo e continua a ser relevante nos dias de hoje. "Quem Tramou Roger Rabbit?" resiste à passagem do tempo e revela-se uma obra marcante da carreira de Robert Zemeckis, um filme enérgico, cheio de acção, humor e aventura, que dificilmente sai da memória do espectador. 


Classificação: 4 em 5
Título original: “Who Framed Roger Rabbit”.
Título em Portugal: “Quem Tramou Roger Rabbit?”
Título no Brasil: “Uma Cilada para Roger Rabbit”.
Realizador: Robert Zemeckis.
Argumento: Jeffrey Price e Peter S. Seaman.
Elenco: Bob Hoskins, Christopher Lloyd, Joanna Cassidy, Charles Fleischer.

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